Pré-lançamento

Photobucket

Finalmente Fevereiro é o mês! Estão nascendo mais duas crias do mundo blogueiro!

Quem estiver interessado em adquiri-las, faça desde já a reserva pelo e-mail:

lobamulher@uol.com.br

Ou deixe seu e-mail nos comentários para que eu possa fazer contato.

Preço de cada livro, já com postagem para dentro do país: R$ 20,00



Abraços e beijos a todos. Até!

PS. estou no olho de um furacão interno e outro externo. Mas sobreviverei! Logo, logo estarei por aqui!


Transição

Ônibus cheio, trocentas sacolas em minhas mãos e ninguém percebeu. Nenhuma poltrona vazia. Segui equilibrando-me entre solavancos, mãos ocupadas e olhos desinteressados. Diferente de quatro anos atrás, quando entrar num coletivo já era uma grande novidade. Naquele tempo, sentaria. E várias mãos se estenderiam solícitas.
Um dó de mim mesma fez com que encolhesse um pouco mais. Tanto que a coluna sentiu. Ao mesmo tempo, algo quente foi crescendo nas entranhas. Raiva. Ainda indiscriminada, mas raiva. Bendita, sagrada raiva. Era tudo que precisava para sair do estado letárgico em que me escondera.
A realidade ainda era brumas difíceis de serem rompidas. Escuridão sem pontos de trajetória. Voltei-me para o virtual. Numa peregrinação sem objetivos, fui em busca da antiga habilidade com as palavras. Vi-me ainda afiada. Talvez um pouco lenta nos dedos e no raciocínio. Mas as brechas abertas mostravam que não se enferrujara o fio da navalha.
Uma necessidade urgente impôs-se acima dos conceitos lineares. Olhei-me ao espelho. Uma antiga imagem sobrepôs-se à da madona de cedro de sorriso bondoso. O lado perverso gritou em voz sufocada. Dois grandes personagens da antiga vida mostraram-me a língua. Sarcásticos e abusados. Descobri que os queria. Necessitava tê-los novamente fazendo parte deste novo processo. Deles tiraria sangue. Novo e vermelho.
Começou a transição. O caminho é longo - nevoeiro, pedras e espinhos. Mas, ainda frágil, minha luz já se acende. O resto é apenas uma questão de determinação. A maçã estará sempre lá. Mordê-la é o objetivo primeiro.
Estou boca, língua e dentes!


7 de janeiro de 2008

Lá se foram os primeiros dias de 2008. Arranquei a folhinha de dezembro e aconteceu da nova estar com a mesma cara. Só um pouco mais branquinha, me lembrando que recomeço a contagem dos dias.
O que mudou de 31 para primeiro?
- Sem dúvida, este intervalo festivo faz bem à esperança. É como se nos desfizéssemos da roupagem escura do cansaço e tomássemos emprestadas as asas da leveza. Velhas roupas coloridas saem do armário. O azul e o verde ganham brilhos que os olhos vêem novos. É, Drummond, a gente acorda o ano. E o novo ano nos acorda para a vida. Quanto tempo isso dura?Eu sei lá! Que sei eu além de não querer pensar em finais! Quero é que o vermelho seja eterno, mesmo que ausente, às vezes!
- Novamente perdi coisas do blog! Desta vez foram os links. Mas isso até que foi bom. Ao entrar em contato com o povo da minha lista, descobri que pessoas a quem admiro muito ainda se lembram de mim. Deu uma alegria de muitos sorrisos!
- Ganhei muitos presentes no ano de 2007. Alguns deles, inesquecíveis. Então aproveito para agradecer a todos vocês que me presentearam com presença, carinho e solidariedade. Agradeço especialmente àqueles que se preocuparam com as minhas ausências.
E agora, uma confissão: estou ótima, mas preguiçosa. Preciso urgentemente reencontrar o ritmo da escrita (leia-se parte da vida, já que pra mim escrever é também viver), me readaptar à vida blogueira e esquecer as andanças sem rumo dos últimos dias.
No mais, tudo como dantes. Estou de volta! (Eu sempre volto!) Ainda que me perdendo pelos caminhos!



Meu beijo ensolarado (como está quente por aqui!!!!)




PS1. Não estranhem a trilha sonora. Resolvi ganhar dinheiro com o blog e no pacote (que não pude escolher) veio a rádio. Em respeito a vocês, coloquei a opção de desligá-la. A quem preferir ouvi-la, sinta-se em casa e comigo, porque estou a ouvir música neste momento!

PS2. Por um tempo vou deixar este template de céu (palavras da mana Elis). Quem sabe assim os anjos dizem amém à minha firme determinação de ser mais centrada e menos desorganizada!

Felizes Dias!!!

Uma vez, muitos anos atrás, um mendigo que ajudei me disse:
- É fácil amar os amigos, a família, as pessoas bonitas. Difícil é amar um mendigo como eu.
Percebi naquele momento que o sentimento que me movia em relação a ele e a muitas outras pessoas era de piedade. Percebi também que estava muito longe de sentir amor por ele e pela maioria das pessoas com as quais eu convivia.
Desde então, venho tentando amar mais. Amar sem julgar. Amar sem condenar. E porque amar é um verbo de ação e exige atitude - atitude de mudança - estou sempre exercitando atitudes que me façam compartilhar mais, discriminar menos, amar mais. Não é fácil e estou muito longe de amar assim. Mas tento, insisto, persisto.

* * *

Dia destes ouvi de um amigo que o melhor presente que podemos dar a alguém são nossos melhores sentimentos. Os meus melhores sentimentos são de amor. Amor a mim, amor à familia, amor aos amigos, amor à vida, amor à natureza. Amor do meu jeito, mas amor.

Então, no momento em que é de praxe desejar um Novo Ano Feliz, desejo que cada dia de todos os seus anos sejam feitos de, com e para o

AMOR

Aproveito para agradecer a todos que transformaram minha árvore de natal numa imensa e linda nossa árvore da vida. Agradeço pelo tanto que me fizeram crescer, pela presença carinhosa, pela leitura ainda que silenciosa, pela companhia nestes quase cinco anos de blog. Foram, são e sempre serão muitas emoções, muita amizade, muito querer bem!


Beijos em cada um de vocês! Felizes dias!




Metafraseando Drummond


Receita de Ano Novo

para alcançarmos nossos desejos
de um feliz ano novo
não é preciso fazer epitáfio
para chorar o que não se fez
nem é preciso querer entender
o que ultrapassa nosso entendimento
também não é preciso vestir branco
ou esperar que venha fortuna
de caroços de romã

para termos um ano realmente novo
basta-nos plantar agora
no instante presente
as sementes de fraternidade

e ao virar a última folhinha
de um dezembro que sempre acaba
acordar o novo ano
com atos e atitudes
de esperança traduzida
em solidariedade e amor

Feliz Renascer!


Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
A gata
Adal Ádina
Adelaide Adélia Adônis
Afonso Alê Aldinha Alexandre
Alcineia Alex Álvaro Amanda Ambidestro
AnaPoeta André Ângela Anne
Antoniel Antonio Anucha Aramis Astier Ariane AssisFreitas
Beatriz Bené Benno Bernardes BetoLins Bia Big Borbo Borboletinha
Bosco Caíra Camus Carito Carlinha Carlos Carol Cássio
Ceci César Chata Chuvinha Clara Clarice Clarissa Claudinha Claudinha Claudia
Cláudio CláudioCosta Cesar Cherry Chico Chuvinha Cleusa Cris CrisDestri Cristiane
Crys Cruzador Dácio DanielA DanielH FDantas Dudu
Dea Deia Deny Despudorada Dexy Deusinha Diana Diego Diovvani Dira-M Dirceu DO
Dora Edson Eduardo Elcio Elis Elisabeth Elise Erly Esyath Escritora de rua Fábio
Fernanda Fêmea Fábio Fé Felipe Flávio Francisco Ge Gildemar
Guto Hermann Iara Igor IgorK Ilídio Ilze Incompreendida Indianira Ivan Ivo
J.Barbosa Jack Jeanete JoãoBosco Jocyvan Jorge
Jota JoãoBosco JoãoPaulo Ju Júlia Juliana Júlio Junior JW Kako Kamael
Karine Karla Katia Kathia Kathy Kyra L.Rafael Lali Leandro Leco Leonard Lelissima li. Leiliane
Linaldo Lino Lique Lisa Livia Lys Lu lu lu Lucia LuciaMi LCarlos LRafael Luma Magui Maíra Makoto
Maloio Malu ManoelC Marcelo Marcinha MarciaClarinha Marco Maria
MariaClaudia MárioCezar Mario Marisa Mariza
Marla Matt Minina Mestra Miguel Miriam MônicaM Mucio Mutações
Naeno Nancy
Nandinha Narfe Nelson Neusa Nika Nilmar Nilson Nomadez Nonato Nora Passeando PedroPan
Pinho QuincasB Rafaela Ray RafaelaD Re-Ventania RegisMarques
RegisFalcão Ric RicardoMann RicardoRayol Ro Robson Ronald Rosana
Rubens
Rubo Sandra Sandrinha Sandro Sanka Santa Sarah Saramar Satine Sayô
Serginho Sérgio Seth Si Simone Sinuhe Sissa Shi Shumy
Sobreira Suze SoniaOrtega Soninha
TaísMorais Tânia Taninha Tarciso
Terê Thaís Taís TonMoura
Umbarco Vanderson Ve
Vivian Val Veruza
Val Freitas
Veri Vicente
VivianWagner
Walter Wania Webert Weder
Wilka WilsonG Octavio Zed Zequinha




Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Desejo de Natal

busco em árvores de natal
as luzes do renascimento
mas eis que encontro aqui
Árvore Viva
- amigos-
frutos de todos os dias
sorrisos matutinos
e vespertina alegria

a eles
- os amigos -
todos e mais alguns
que de passarinho
as asas tomarem:

Um Feliz Renascer
Em Amor e Fraternidade


Então é Natal...

Este texto deveria começar e terminar falando de amor, de esperança, de alegrias. Porque o Natal se aproxima e segundo o cristianismo o nascimento de Cristo simboliza paz, amor e esperança. Segundo o capitalismo, é tempo de bons negócios, de vitrines coloridas, de corre-corre para a compra de montanhas de presentes. Mas não vou falar deste Natal monetariamente colorido ou da simbologia religiosa desta comemoração. Vou falar desta festa cristã que, contrariando o próprio espírito cristão, faz crescer, dolorosa e assustadoramente, as diferenças sócio-econômicas deste nosso país.
Você já imaginou a vida sem sonhos? Podemos até ter períodos em que os sonhos parecem correr de nós, mas no geral somos seres movidos pela esperança e pelos sonhos. Agora imagina como seria sua vida se não houvesse esperança de realizar sonhos? Ou pior: se você não soubesse sonhar!?
Então é Natal... e existem milhões de crianças que não podem ou não sabem sonhar com o Papai Noel. As mesmas crianças que na noite de Natal verão o brilho das luzes refletidas em seus irmãos mais afortunados enquanto seus olhos se encompridarão e se fecharão na tristeza das mãos vazias e da esperança ausente. As mesmas crianças que ouvirão e não entenderão a canção que diz: como é que papai noel, não se esquece de ninguém, seja rico ou seja pobre o presente sempre vem.
Então é Natal... mas não consigo estar inteiramente feliz com minha árvore super enfeitada de luzes e presentes, com minha ceia já programada, com o carinho dos amigos em forma de cartões e presença, com a borbulhante alegria da família reunida, com o sorriso de antecipação feliz que vejo em cada rosto.
Mas é Natal e desejo a você um Natal exatamente como você planejou, como você quer sua noite de Natal. Com todas as alegrias, todas as cores e todos os sorrisos de Natal.
E desejo mais. Desejo que você não se esqueça de acender uma luz no túnel de uma criança. Ainda que seja de uma única criança. Ainda que seja numa única noite.
Porque é Natal.

Midi: John Lennon

Encruzilhada

Fui desafiada pelo Rayol a escrever um texto usando os últimos dez títulos postados aqui. Soubesse eu que um dia teria que debruçar sobre meus títulos, teria pensado um pouco mais antes de colocá-los. Como não penso, eis-me aqui fazendo o quase impossível exercício de poetá-los. Mas desafio é desafio. E não fujo de um – ainda que me sinta ridícula lendo o resultado!

Que tipo de gente sou eu?

mergulhando de cabeça
na latência da crise poética
vou em busca de respostas
para o infindo e circunstante
desfile dos meus anos

mas que sei eu
da arte de envelhecer
se na superação do final
(o último de tantos outros)
foi fugindo à solidão
(em diversas e tortas promessas)
que me deparei com a receita
do não saber ser feliz

ainda assim
caminho de rosto erguido
contratando a esperança
nos gestos de mudança
e nos atalhos da vida

e a poesia de quarto
fica de quatro
em stand by

à espera de nova parceria



* * *

Gente, eu desisto de mim e da minha falta de tempo. Não sei o que mais me incomoda: se deixar esta página abandonada ou atualizá-la sem dar retorno às visitas que recebo.
Seja como for, não faço mais promessas. Apenas vou levando a vida (porque não gosto que a vida me leve) aos trancos e barrancos e fazendo o quase impossível para transformar 24 em 36 horas.

Um beijo em cada um de vocês! E meus muitos agradecimentos por não se esquecerem de mim!

midi: b b king and eric clapton

Que tipo de gente sou eu?

Genericamente, eu me digo mulher. Organicamente igual a todas, fisicamente diferente embora saída de um padrão comum. Emocionalmente perfeitinha - eu me vejo; complicadinha para o mundo. Moralmente amoral, é o como eu gostaria. No entanto, firmemente moldada por valores judaico-cristãos.
É no emocional e no moral que importa agora me questionar. Renascida outra vez e outra vez emergindo do ventre da baleia, importa continuar me olhando. Esta não é uma pergunta minha, mas uso-a para recolocar mais algumas peças no meu próprio jogo de xadrez. Hoje escolho a mágoa como uma das peças a ser movida na tentativa de que seja melhor entendida.
Sou facilmente magoável. De uma sensibilidade idiota, vou colecionando pequenas feridas na alma. Mas não falo delas. Deixo-as lá como se fossem apenas picadas de abelhas: incomodam, mas não matam.
Um dia a alma vira uma colméia de picadas e me fecho. Sem nenhuma chance de defesa, julgo a abelha e a expulso do meu convívio. Ignoro-a solenemente. Esqueço a mágoa como se nunca existira. Esta é uma versão da minha prepotência.
Em outra versão, perdôo. Visto-me de Deus e magnanimamente olho quem me feriu e decido dar-lhe a chance de continuar ao meu lado. Mas continuo sem destampar a mágoa. E a relação passa a ser superficial. Viro abelha-rainha cercada de operárias mudas porque deixo de escutá-las - por não mais admirá-las. E elas perdem o poder de me ferir. Estas são as que têm possibilidades de reconquistar a minha admiração. Se quiserem.
Fácil é constatar as minhas atitudes. Difícil é mudá-las.
E por ser difícil, outras perguntas se apresentam. Mas por que devo? Para sofrer menos? Ou para ser mais querida? Para ser coerente? Mas coerente com o quê? Ou será que tudo isso é apenas uma faceta da minha carência?
Responda quem quiser. Eu, por mim, vou tentar ser mais humana e menos estrela sem brilho. Ou menos abelha-rainha. Ou seria menos deusa?
O que mais eu poderia dizer ao final de um post deste? Começou sem pé nem cabeça, termina um pouco mais incoerente. Talvez porque eu seja mesmo um anti-modelo. E hoje seja segunda-feira.
Mas uma segunda feliz! Vivi ontem mais uma super aventura nas estradas de Minas e me redescobri viva. Outra vez!

Semana de brilhos a todos vocês. Com beijos meus.

Frase de hoje:

Não ligo se você não gosta de mim. Mas se gosta, eu me ligo!


Cópia ipsis litteris de uma segunda-feira qualquer de um ano qualquer
(tenho mania de não colocar data nos meus posts)
que se encaixa perfeitamente no meu hoje.
Crescer em idade nunca foi sinônimo de crescer em sabedoria.
Mas talvez não seja tão ruim assim!!!

Midi: Alegria - Cirque du soleil

Poetando

poesia de quarto

disseram-me
que quarta-feira
é dia
de prosear

mas que prosa?
se minha mente está em branco
e se apenas a espera da noite
quebra a áspera rotina da quarta?!

então
se não há inspiração
dou rimas à imaginação

subverto as regras da língua
para que logo mais à noite
(ao quarto gemido)
nosso prosear
seja encontro de todos os lábios
(felizes e úmidos e bêbados)
na essência dos nossos desejos

e a prosa de quarta
se transformará
em poética

dos quatro cantos da carne

* * *

(dizem que nos bastidores da vida as coisas acontecem. às vezes em preto-e-branco. quase sempre coloridas. acho que preciso trocar minhas lentes!)

Beijo. Bons dias pra você!


(cherry, troquei o terceiro por quarto! agora tenta adivinhar! )




CHAT NO BLOG

O Blog do Amigo Oculto agora tem um chat próprio. Para participar do papo, basta entrar no blog e ir até o fim da página: http://amigoculto2007.blogspot.com/
O convite é para todos que quiserem bater papo!

Para quem usa o Blogger e quer incrementar sua página, indico: Tudo para Blogger.
Tem realmente tudo! E é impressionante a disponibilidade da dona do site em ajudar a nós, pobres analfabetos em informática!

midi: sexo verbal - legião urbana

stand by

Embora ligadíssima, estou com apenas 12% de energia bloguística. É pouco, muito pouco para tantos e fiéis e queridos amigos. Mal dá tempo para postar aqui e sair correndo. Portanto, peço desculpas pelo meu sumiço e prometo voltar assim que a minhas muitas atividades (de lobalouca) permitirem.
Um beijo e obrigada a todos que passam por aqui!



gesto de mudança

num mundo
onde a fome de justiça
é apenas quimera
e solidariedade
é verbete de aurélio
não há de se esperar
milagres divinos

é preciso vir do homem
o gesto de mudança

começa pequeno

nasce da vontade
de ser mais do que espera

torna-se
a chávena de luz
que ilumina caminhos
amplia olhares
multiplica ações

e cria
o gesto solidário


* * *

Crise poética

Como vêem, estou em crise poética! Tenho estas crises, vez em quando. Desta vez, parte da responsabilidade é mesmo da minha loucura. Outra parte é da Lista Literária Com_Texto onde re-entrei e encontrei antigos companheiros. É uma gente muito interessante com quem aprendo a ousar. E poetar tem sido minha grande ousadia. Este poema saiu da invasão que fiz ao texto Chávena de luz, de Clauder Arcanjo. Eles, os "com_textadores", são tão interessantes que permitem a minha intromissão amadora! Só tenho que agradecer e ficar feliz demais!

Recado para os integrantes das Coletâneas

Os originais já estão na editora. Estou aguardando que me mandem as provas para revisão. Entro em contato assim que recebê-las.

A quem quer terminar o ano em confraternização


AMIGO OCULTO 2007

Clica aí e entre na brincadeira!

Beijos e beijos. Otima semana a todos.

Poetando

arte de envelhecer

acima dos meus atos falhos
quero fazer pairar
a minha envelhescência

um ato de subjetivação
que me tornará sujeito
do correr das horas
que me fará significante
no encontro-desencontro
da alma que dança
do corpo que cansa

acima do desejo de etern(a)idade
quero pairar
envelhescente

e tecer
levemente
as tramas do tempo

* * *


Amigo oculto

Quer entrar na brincadeira?
Clica no link e leia as regras e instruções:

AMIGO OCULTO 2007

* * *

Ótimos dias para todos. Com beijos meus.





Midi: Fascinação - Violinos Mágicos

AMIGO OCULTO

Quer entrar na brincadeira?
Clica no link e leia as regras e instruções:

AMIGO OCULTO 2007


poetando


latência

enquanto fantasio
o ponto alto
de tua fome
no emaranhado
dos meus pêlos
dedilho
urgências
na boca da noite

e inundo
de gozos
os códigos da espera

* * *

Frase do dia:

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz" Gonzaguinha


poetando junto:

Crys:

Dois desejos
duas saudades,
duas cabeças pensando
dois sexos apaixonados
querendo um só desejo
dois gestos
um grito
na madrugada
Vencidos!



* * *

Beijos de menta pra quem quiser!!!


midi: the crystal chip - the doors

A superação do final

Para Lu (terceira) e a quem mais interessar

Final é algo doloroso sob todos e quaisquer aspectos. Há sempre alguém que se machuca ao final de uma relação. Mas nenhuma relação morre de infarto. Em geral, ela adoece e morre aos poucos. E nem sempre esta doença é perceptível aos dois. Quando um dos dois põe fim à agonia, o outro sente a morte na alma. Solitária e dolorida.
É quando se toma consciência da quebra de uma união sonhada – seja ela em que nível for. Vive-se então o tempo em que as feridas sangram profusamente. Até que o imaginário se acostume com a falta do sonho. Após o sangramento, a dor transforma-se em algo indesejável. É preciso expulsá-la para que haja um renascimento. Uma das opções é a busca da raiva. Raiva é um sentimento possante, forte o bastante para se sobrepor à dor. E mergulha-se nela tirando de si a responsabilidade pelo sofrimento. Durante um tempo, vira-se um dedo acusativo apontado para o outro.
Mas é preciso voltar os olhos para dentro de si mesmo. Reconhecer que a eleição do outro como único que convinha ao seu desejo, foi escolha livre. Recolocar-se dentro do processo, como sujeito das ações, é o próximo passo. Rever sonhos, atos, atitudes e, especialmente, ver-se fora do contexto do “eu enamorado”. E reconhecer o quanto se esteve solitário dentro do próprio sonho.
Este é o ponto onde a dor é cortante. A alma se quebra. Mas é também o ponto da libertação. É quando estamos prontos para nos vermos livres do sentimento opressivo do sonho desfeito. É quando estamos prontos para fechar a porta dos fundos, limpar as paredes e abrir as portas de entrada.
E arregalar olhos, braços e vida. A todos os sonhos do mundo!


* * *

No dia da Consciência Negra, meu desejo é que todos nós possamos caminhar no sentido de assumir os nossos preconceitos, vencê-los e verdadeiramente aceitarmos as diferenças - especialmente as sociais e raciais.

* * *

Sumi porque estive mergulhada nas coletâneas! Enfim, estão no prelo! Lindas, maravilhosas!!!!
E eu, novamente na área!

* * *

Grandes beijos a todos!


midi: eu não sei quem te perdeu - pedro abrunhosa e sandra de sá

Saber ser feliz

Éramos eu e ela. E o barulho rumorento de centro de cidade. Ela falava, eu escutava. Vez ou outra abanava a cabeça em concordância. Ou a balançava discordando. Sem espaço para voz. Ela me chamara para ouvi-la, apenas ouvi-la – eu descobria naquela hora.
Após uma descontrolada enxurrada de palavras, algumas caretas, arregalar de olhos e voz em falsete, ela começou a chorar. E eu ali. Olhando-a e me perguntando que atitude tomar. As palavras faziam cócegas nas minhas cordas vocais. O bom senso me dizia para esperar. E o coração, derretido, pedia-me para dar-lhe colo.
Alguns poucos minutos de lágrimas e ela me olhou desafiante:
- Entendeu por que não quero mais ouvir falar em felicidade? Se isso existe, não foi feito pra mim.
Eu sabia que deveria sair do estado cataléptico em que me encontrava. Era a minha vez de entrar em cena. Talvez, assumir aquele ar compreensivo e maternal que tantas vezes usei com meus alunos. Mas, estranho, descobri que não conseguia sentir carinho por ela. Não naquele momento.
Ao invés de responder-lhe, fiz sinal à garçonete. Pedi outro suco. E olhei à minha volta. Sem nenhuma vontade de olhar para ela. Sem nenhuma vontade de discutir felicidade.
- Parece que você não escutou nada do que eu disse.
- Escutei, claro. E parece que fez bem a você falar sobre tudo isso, né?
- Mas é só isso que você tem a me dizer? Que amiga é você? Não vê que estou desesperada e precisando de ajuda?
- Escutar e calar-se, às vezes, é o gesto mais amigo que alguém pode ter.
- Que merda! Não foi pra ouvir isso que te chamei aqui!
- Ok. Então vamos embora. Tenho que voltar ao trabalho.
- Pelo amor de Deus!!! Não vai me deixar aqui neste desespero, vai? O que faço?
Sorri. Sem nenhuma felicidade. Também sem nenhuma vontade de continuar aquele papo. Maldade minha, pensei. Ela espera a minha mão amiga. Mas já passou da hora desta criatura parar de olhar para o próprio umbigo e começar a crescer.
- Aninha, se você estivesse me pedindo uma grana emprestada, ou estivesse precisando de ajuda para um trabalho ou algo parecido, seria fácil. Mas ensiná-la a ser feliz é impossível minha amiga.
- Mas tem que existir uma explicação pra tanta infelicidade. Quero que me ajude a entender isso, compreende?
- Não tenho respostas pra isso, Aninha. Você é que precisa encontrar suas respostas. Talvez precise aprender a olhar à sua volta. Quem sabe assim você se descubra muito menos infeliz?
- Porque felicidade, minha querida, não é um objeto perdido que precisa ser desesperadamente encontrado. Nem um sentimento que precisa ser pensado. Felicidade a gente vive. No agora, nas coisas pequenas, nos gestos, nas atitudes. Felicidade é percepção. De si mesmo e do seu entorno. E, especialmente, felicidade não está lá fora, em alguma coisa ou em alguém. Está dentro de cada um de nós.
A conversa ainda durou mais alguns minutos. Até que dei por encerrado o papo. Meu tempo havia acabado. E eu estava aliviada por ter conseguido devolver a ela a carga que a ela pertencia.
Porque é função nossa de cada dia saber viver. E saber viver é também saber ser feliz.


* * *
Beijo e carinho. Pra você!

Poetando

solidão

como instrumento de dentista
insidia-se

invade carnes
nervos
dignidade

e prega no espelho
a falta de atitude:

medo
de sentir-se instrumento
da própria felicidade

* * *

Proseando

Para quem gosta de prosa, estou AQUI! E já agradeço pela visita!

* * *

Mil agradecimentos ao João Bosco pelo mimo e pela declaração de afeto.
Outros mil agradecimentos à Gata por um fio por ter se lembrado de mim.
Fico devendo aos dois a postagem dos memes. Ainda o farei!



Beijos e linda semana a todos!


midi: a felicidade - tom jobim

...

Acabou a brincadeira de múltipla escolha!
Em relação à primeira enquete, mais uma vez, constatei: vocês são todos uma gracinha! Ninguém me xingou, ninguém me mandou praquele lugar, ninguém me deu de presente um lustra-móveis!
Mas fiquem tranqüilos. Não pretendo mandar e-mail convidando-os. Já sou extremamente grata a todos que me visitam apesar dos meus múltiplos sumiços. A não ser, em situações de extrema necessidade (que podem ser raras ou não, que podem ser necessidades minhas ou não!)
Quanto à segunda enquete, não foi brincadeira. Todos os anos (ou quase todos) a gente brinca de amigo oculto. Neste ano, brincaremos de novo. Só tenho uma exigência: quem entrar tem que se comprometer. É super chato ficar alguém sem presente!
Mas este é um papo para outra ocasião. Ainda vou pensar na proposta. Outra hora, outro dia, falamos nisso.

Agora, só quero brincar de poetar. Vamos?


mine(i)ração

um dia
correrei entre teus pêlos
(rios da tua transpiração)

em leitos de gemidos
densos
roucos
sustenidos
sorverás os meus liqüens

e nas escarpas boêmias
dos meus vales
e montanhas
descobrirás

cavernas
e minas
da tua perdição

* * *

Todos os poemas deixados aqui nos comentários estão aqui: Poetando com a Loba
Hoje tem um poemalindo deixado por Erly Welton Ricci!



* * *

Beijos molhados - com gosto de temporais mineiros!!!

Múltipla Escolha


A conversa está muito boa, mas as abobrinhas caíram de maduras! Não que eu já tenha resposta para o insucesso da minha bunda ou que tenha me cansado do assunto. Mas é que sou compulsiva e já pintou outro papo que quero ter com você. Mas se você ainda não leu o post anterior e ficou curioso, fique à vontade. Visite minha amiga Jeanete Ruaro, porque seus poemas valem todas as visitas, e corra lá na minha parceira de surubas, a Cherryzinha, porque o post dela é mil vezes mais interessante que minhas abobrinhas!
Desde que volte aqui e leia este, claro!

Diz aí: o que você acha de receber um e-mail meu, todas as vezes em que eu virar a página do meu blog, te convidando para uma visita?
PS em letras mínimas: o convite não inclui de forma alguma a retribuição da visita!
Para facilitar, te dou 5 opções. Você escolhe quantas quiser:

1. vai dar pulos de felicidade pelo privilégio de me ler
2. vai me mandar de presente um lustra-móveis
3. não vai se incomodar em receber o lembrete, mas também não o levará em consideração
4. se estiver num dia bom, vai dar uma passadinha no meu blog
5. vai ficar com vontade de me dizer: o blogger tem um recurso chamado ping que me avisa quando há atualização nos blogs que me interessam, portanto não se incomode.


Agora, passemos para o próximo assunto. Também aqui, você vai escolher a opção que mais lhe agradar.
O que você acha de receber em casa um presente? Não, não é nada parecido com aquelas propostas indecentes de ganhar algo depois de pagar um absurdo por outro algo. É presente de verdade, mandado por um amigo oculto!

1. Não gosto destas brincadeiras/ não tenho tempo para amigo oculto
2. Topo, mas se o presente tiver um valor máximo de, por exemplo, 20,00 e se todos se comprometerem a levar a sério a brincadeira.
3. adoraria participar, mas não tenho grana para comprar presente
4. quero participar
5. gostaria de participar, desde que o presente seja simbólico – como os presentes dos anos anteriores.
6. .................
( a sexta é uma resposta extra que você pode dar. Afinal, tudo vale a pena quando a alma não é pequena!)

Então, acabou meu tempo. E o seu também. Vou deixar este post aqui por tempo indeterminado. Ou até que eu me canse dele (o que pode acontecer em horas... ou dias)


Grande beijo! Ótimas horas!!!



PS. Não se esqueça: você tem até o dia 30 de novembro para participar:


Maiores informações, AQUI



midi: solitude

Abobrinhas dominicais

Há um tempo atrás eu vivia indignada e com uma grande interrogação: bunda, eu? Isso mesmo, a interrogação era um plágio de Magda Almodóvar. Vou te contar porquê. Os homens me olhavam como se eu fosse apenas uma bunda. Até entendo que ela chamava atenção. Mas e os meus cabelos? Eram invisíveis? Então era assim: eu passava horas num salão de beleza, fazendo unhas, cabelo, sobrancelha. E nada disso parecia fazer diferença. Os olhos não subiam nunca. Sem contar com o mais importante: eu me achava inteligente, interessante, divertida. E eles só queriam saber da minha bunda. Não era para ficar indignada?
Mas isso é passado. E como todo passado, com gosto de saudade. Não que eu queira voltar a ser apenas uma parte da anatomia feminina, mas o meu ego anda precisando de olhares mais efetivos. Ontem estive no mercado central. Não ouvi nenhum zum-zum-zum. Apenas olhares discretos de homens que se fingiam respeitosos. Tenho certeza que os machos não mudaram. Não aqueles que ficam em botecos de mercado. Nem a minha bunda. Disso, também tenho certeza. Então o que mudou? Mudei eu. Cresceu a idade, decresceu a sensualidade. Será? Mas sensualidade não tem idade. Ou tem?
Agora, diz aí: por que estou escrevendo estas besteiras?



Ela, minha antiga companheira de surubas, deu resposta a esta pergunta. Se eu concordo com tudo que ela disse, importa pouco (ou importa apenas ao meu ego, muito mais que ao coração ). O que importa é que ela fez um belo post sobre a nossa conversa! Quer ler? Clica AQUI!

* * *


Para tentar salvar o domingo, reativo o
Espaço dos Amigos
com um poema que acabei de ler no blog
da minha querida amiga
Enrolando cirandas

Tão veloz o tempo flui
são tantas vidas numa vida
A infância é esperança
A juventude o desassossego
não espera...
tem pressa demais.
Com chispas de lua,
insinua-se a idade madura
Rabo de cometa, solar diadema,
Ritmo e emoção pura
Tudo é asa de poema
Amor é eterno...eterno enquanto dura
Tento enrolar cirandas
( Não consigo jamais)
Guardando cada fonema
De tantos “eus” que já fui,
só enrolo os carretéis dos meus ais.


Beijos domingueiros. E meu carinho para todos!


midi: nem luxo nem lixo - rita lee

lembranças

uma manhã de nuvens
cheirando verão
as paredes prendendo
o silêncio do tempo
o relógio chorando
os minutos iguais
e a espera deitando
no prato de arroz

uma tarde chuvosa
beirando natal
o chão dormitando
na enchente do rio
um sino brincando
de sete marias
e a boca adoçando
geléia de jiló

uma noite pingando
dentro e fora do mito
o espelho frustrando
a esperança do rito
o lenço enxugando
dormentes de trem
o adeus respingando
promessas no vento

e o tempo partido
derivando pra vida


(dedico a postagem deste poema à minha irmãzita Adélia
e à minha grande amiga Dorita e ao querido Jota.
Porque eles gostam de ritmo e, pela primeira vez
e ainda que intuitivamente,
sinto que cheguei perto de alguma coisa parecida com musicalidade)


Releituras:

Wilson Guanais:

TRI-CICLO

Manhã
Tarde
Noite

Ontem
Hoje
Amanhã

Passado
Presente
Futuro

: o Pai
o Filho
e o ...

Amem


Clarice:

parei de beirar natais
(quando dei conta que)
beiro os dias que me são
faço o possível (impossível as vezes) para "sê-los"


* * *


enquanto houver pés, haverá caminhos. enquanto houver lembrança, haverá saudade. enquanto houver vocês, haverá nós. (devo estar plagiando alguém - porque nesta vida quase nada se cria... quase tudo se copia!)


Beijo, pessoas! Ótimas noites, ótimos dias.

Poetando

calçadão

um menino
uma fome
um vazio
:
uma bomba
prestes a ferir o silêncio da omissão

o derrame
de medo dos passantes
tingindo de vermelho
a brisa caída

e a violência
batendo na cara
das camadas de acomodação


outras palavras

AdeliaTheresaCampos:

rompido o silêncio
passado o temor
fechamos a janela
o vermelho tem mais brilho
com um balde de pipoca
olhos na televisão

Lisa:

BORRÃO

E ele continua ali, pintado, caído, na vitrine do cotidiano.
Seu nome? De menor, pivete ou João de Oliveira (é ninguém perguntou)
Mas todos sabem: hoje a mãe de Joazinho não terá ele de volta ao lar.
E outros Joazinhos acabaram de nascer no Hospital dos Indigentes e novos artistas já se preparam para tingi-los de vermelho.


Wilson Guanais:

HOMO HURBANUS

trancada
em
seu
carro
(blindado)

a pessoa
e um
"não-de-guarda"

: de
vida-
mente-
adestrado
...

Dora Vilela:

um menino com fome

várias pessoas
que passam
insensibilizadas
pelas variadas fomes
que desfiguram
a verdadeira
fome de vida

dele...


* * *



Um beijo em toda gente. Com muita pressa, mas com todo carinho.


PS. Beijo especial pra Shi, pela poesia que ela nem sabe que tem!


midi: joão e maria - chico buarque

Sobre a poesia contemporânea - L. Rafael Nolli

"Não é de hoje que a poesia tem se distanciado do público leitor. Não bastasse vivermos num país que pouco lê, há ainda, por sua vez, uma onda de poetas tomados de aversão ao leitor."

Se você concorda, continue lendo AQUI. Se não concorda, mais um motivo para continuar a ler!

sem título

Alguns textos que faço são um pedido implícito de afago. Eu sei! Faz parte do meu lado “gauche”. O lado que briga e que beija, que tem um pé nas nuvens outro no abismo. Não me lembro de ter havido um anjo me dizendo que ele existe, mas sempre me vi em dois caminhos na vida. E o gauche foi sempre muito interessante. O outro é comum. Aquele em que os sapos param na garganta até que possam ser jogados na parede – ou na cara de alguém!
Mas voltando às minhas carências, não há coisa mais bonitinha que afagos que dizem ser “sempre muito love estar aqui” ou todos os outros que recebi nos comentários do post anterior. Acordei, Cherry! E sem vergonha de pés ou mãos ou seios ou da lei da gravidade cobrando a passagem do tempo! Agora, só alma lavada e coração expectante. O que é o mesmo que dizer: quero a paixão ardendo no sangue!

Mas não era nada disso que pretendia escrever aqui. Queria era socializar um texto que recebi da Ceci, um artigo de Eve Ensler – dramaturga, artista e ativista que tem dedicado sua vida à luta contra a violência, especialmente a violência contra mulheres. Não é nenhuma novidade, para nós, as atrocidades sofridas pelas mulheres de algumas repúblicas africanas, em especial a república do Congo. Mas neste artigo Eve nos mostra o inferno. Não há como sair ilesa depois de ler Feminicídio no Congo.
O artigo está transcrito AQUI para quem quiser ler.

E agora, meu afago aos meus leitores queridos: amo vocês! Porque fazem bem ao meu ego, ao meu coração e à minha segunda-feira!!! E amo porque amo. Porque "amor foge a dicionários e a regulamentos vários" segundo meu amado e "gauche" Carlos!


Uma ótima semana a todos! Muitos beijos meus.




midi: amazing grace - Paul simon e Ladysmith Black Mambazo

Eu, hein?

Há tempos venho observando, pensando, observando e reconhecendo: o comportamento humano é mesmo previsível.
Algumas pessoas, incluindo eu, gostam de ser reconhecidas como imprevisíveis. E a gente até tenta ser. Mas no final das contas, somos todos moldados na mesma forma e por mais que tentemos nos desvencilhar de comportamentos apreendidos ao longo da vida, conseguimos muito menos do que gostaríamos.
Uma menina blogueira, a Esyath, me chamou de literata. Morro de felicidade, mas sei que a denominação fica por conta do carinho dela. Mas ela também disse algo que me deixou pensando, observando, pensando e concluindo. Isso mesmo: fiquei toda gerúndio! Segundo ela, meu blog é muito badalado. Perdoando-a por ter trocado o tempo passado pelo presente do verbo, concluo que ser ou não badalada na vida blogueira depende menos da minha competência e mais da constância da minha presença. É até possível que eu e muitas outras pessoas sejamos competentes e presentes. Mas se formos apenas competentes, teremos alguns bons e fiéis leitores. E só. Sem as festivas badaladas de sinos diuturnos! Porque tais badaladas exigem o compromisso do bate-ponto. Tem coisa mais chata que prazer virar compromisso?
Conclusão óbvia: movemo-nos todos pelo estímulo da recompensa. Eu dou. Mas espero ganhar. Se não há a promessa de ganhos, nem sempre estou disposta a dar. (Por que será que isso me lembra aquele experimento com ratinhos de laboratório?)
Quer comportamento mais convencional que este? Eu garanto que ele é um dos comportamentos mais democráticos que já observei no ser humano. Faz parte de pobres, ricos, letrados, iletrados, jovens, não-jovens, etc. E é comum até mesmo àqueles que se dizem imprevisíveis!
Quem sou eu para dizer que estou além (ou aquém) da previsibilidade humana? Ou deveria dizer “do modelo convencional humano”?

Memes

Sou anti-memes. O que pode também significar que sou uma chata, ou uma metida, ou uma anti-social. Fico agradecidíssima por ter tanta gente se lembrando de mim, me presenteando. E fico também orgulhosa por tudo isso. Mas sou péssima para passar os (ou seriam as) memes para frente. Isso implicaria em ter que indicar e ir aos blogs indicados para avisar que indiquei. Como não faço isso, minhas indicações perder-se-iam (putz! cuidado gramáticos!) nos ares bloguísticos.
Então, continuo gostando de receber os mimos, mas sem passá-los para frente. Não briguem comigo. Apesar de chata, sou boa gente!

Outro tipo de meme

Outro dia o Cássio Amaral, meu brotherzinho de Araxá, me indicou para uma experiência interessante. Gostei tanto que vou passá-la para todos que quiserem. Ei-la:
Estenda a mão e pegue o primeiro livro que estiver ao seu alcance. Primeiro mesmo – não vale escolher. Abra-o na página 161, vá à 5ª frase (também não vale escolher outra página ou outra frase), retire-a do texto e publique-a. Pense nela se quiser. Se quiser, use-a também como inspiração para um texto novo. Ou não faça nada, apenas destaque a frase e indique 5 outros blogueiros para fazer o mesmo.
Fiz isso com o livro A rosa do povo de Carlos Drummond de Andrade. Adoro este livro. Adoro a postura política assumida pelo poeta em vários poemas. E foi num deles que abri o livro. E foi esta a quinta frase-estrofe:
Meus olhos são pequenos para ver
o transporte de caixas de comida,
de roupas, de remédios, de bandagens
para um porto da Itália onde se morre.



Com Drummond, despeço-me. Obrigada pela atenção e pela paciência.
Beijo-beijo-beijo.
Te vejo por aí!



midi: folhetim

*Paz!

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket






* Blogagem Coletiva sugerida por Lino Resende



Outros olhares sobre a Paz:

Esyath Barret:

minha amiga, eu até ousaria afirmar que a paz comea a ser construída em nossas próprias alamedas interiores.
Paz não se ganha, nem se conquista, se constrói.
Paz ao mundo neste feriado e em todos os minutos de nossas vidas.

Clarice Ge:

A meu ver,
a melhor maneira de pregar a paz
é exercitá-la.
Ser um bom filho.
Ser um bom pai.
Ser um bom irmão.
Ser um bom amigo.
Ser um bom vizinho.
Ser um bom cidadão.
Respeitar a água.
Respeitar o ar.
Respeitar os animais.
Respeitar ao próximo.
Respeitar a natureza.
A meu ver,
a melhor maneira de difundir a paz
é exercitá-la.
Ser um bom Ser.

lu (terceira):

respeitar as diferenças, em todos os sentidos, é o melhor caminho para a paz!

Juliana:

a PAZ é de dentro pra fora.
é essencial.

Fernanda:

Realmente, só poderemos reclamar paz dos governantes quando nós também a praticarmos. Como viver num mundo de paz, quando não temos paz interior? É aí que tudo começa...

Fábio Max:

"Ser um bom ser"
Isso praticamente define o conceito de paz!

Jota Effe Esse:

A paz é possível, DESARME-SE!!!!!!!!!

Erly:

Só é possível construir a paz com o amor, porque só o amor é real. É o amor que te carrega de paz quando uma criança te observa, quando se observa a beleza do por do sol, a beleza nas coisas. Porque o amor é um raio de energia que vai para todas as direções e irradia pacificando tudo.

Caruco:

Eita, como é chato admitir que não há como haver paz! Num contexto suburbano, ou seria provinciano, ou seja, de vizinho, de colegas de trabalho, de colegas de escola, de menino negro pra menino branco ou vice versa, até que ainda vai. Mas quando a coisa começa a ir mais lá pra cima, meu amigo, onde envolve comércio, território, nação, dinheiro... haha... aí a utopia é outra. Paz e dinheiro (poder) não andam juntos.

João Bosco:

Concordo com o caruco.


Beijos e Paz para todos!


Poetando

elos

essenciais
não são as rimas
nem a métrica
dos olhos

essenciais
são os elos
que tecidos à maneira de teia
juntam sentidos e sentimentos
e fazem beijar-se
os diferentes olhares



(poema de apresentação do livro de blogueiros Elos)



Poetando junto:

Esyath Barret:


"Não necessito de rimas,
não rimo necessidades.
Apenas sinto.
E poetizo cada elo sentido."


* * *


Proseando

Segunda-feira tem gosto de árvore desfolhada. A sensação é que um vendaval de preguiça varreu tudo: dos pés (agora sem gesso) ao último fio de cabelo.

Neste fim de semana, terminei a leitura de A cartuxa de parma, de Stendhal. É um dos melhores livros que já li. Vale a pena perder-se no amor impossível de Fabrício e Clélia, na relação (lembrada por QB) incestuosamente enternecedora (que diabo de adjetivo é este!!!!) de Fabrício e Gina. Tudo isso tecido num belo romance psicológico. Além de contextualizar perfeitamente as tramas e dramas do jovem na Itália de pós-Napoleão, Stendhal faz uma bela e profunda crítica à Restauração e ao naufrágio dos ideais da Revolução Francesa. Confira!

A edição dos livros de blogueiros está de velas soltas. Se eu não perder o rumo, chegaremos ao porto de alguma editora até o dia 10 de novembro. O que significa que os livros serão presente de natal para mim!

Chega! Uma semana linda para você. Com azuis e amor!



Midi: Kenny G - Forever in love

O pulo da gata

O mundo continuava gotejante. Suas roupas também. Tirou os sapatos pensando no emaranhado em que se transformara sua cabeça: cabelos e pensamentos encharcados. A chuva fora tão inesperada quanto inesperada estava sendo sua reação. Deveria estar irritada. Fora uma grande produção pensando no ditado: o que fica é a primeira impressão. Mas estava aliviada. A chuva lavou seu senso de obediência às convenções. Ou talvez o alívio fosse de outra ordem. Ele a olharia e a dispensaria. E a culpa seria da chuva.
Entrou no shopping dividida entre vontade e necessidade. Foi direto para o banheiro. Torceu os cabelos, ajeitou as roupas e saiu sentindo os pés escorregando dentro dos sapatos. Exatamente como vinha se sentindo ultimamente: escorregando na vida. Olhou o movimento à sua volta. Ali dentro era um mundo à parte. Nenhum sinal da chuva que enchia as ruas lá fora, nenhum sinal de emoção em ebulição no rosto das muitas pessoas que iam e vinham. De tempestade, só suas emoções borbulhando insegurança. Tirou da bolsa a foto em cinza e preto, pensando na tinta da impressora que acabara. Seria possível reconhecer alguém através daqueles borrões? Tomara que não. Balançando os cabelos molhados, foi direto à praça de alimentação. Parou no lado oposto da única mesa onde havia um homem grande e de terno.
O primeiro olhar dele foi de indiferença. O segundo, uma surpresa hesitante. O terceiro virou uma sonora gargalhada que logo em seguida transformou-se em desculpas gentis. Levantou-se e puxou-lhe a cadeira. O riso continuou no olhar, colocando fogo no rosto dela e um gemido de expectativa em suas entranhas.
Duas horas depois estava ela novamente na chuva. Desta vez, com a certeza de que a faculdade estava garantida até o final do ano. O lugar era seu. A partir do dia seguinte seria acompanhante oficial de um executivo italiano. E que se danasse o sonho idiota de apenas se deitar por amor. Amor a gente inventa.


* * *


Um fim de semana estrelado! E beijo meu.



midi: mais uma vez - renato russo

Vida eterna ao deus Eros!

O Ricardo Rayol escreveu assim:

Na densa mata
noite amante, cúmplice
contorcendo-se nas folhas,
sensual leito,
dois animais em transe.

Sobre meu corpo,
firma seus quadris,
penetro, reto,
aríete de carne e sangue.

Cavalga em disparada
sufoca os gemidos
uiva, em desesperado gozo,
loba no cio.


Eu, a musa abusada, respondo:

ao homem que se entrega
dou fonte
fogo
fome

(no desatino das carnes
a morte se explica:
sou a arma
ele, o tiro)

e nos esvaímos
em prazer
antes mesmo que acabe o cio

* * *

E você, o que diz?

a epígrafe que vem pós:

Perdes-te comigo
Porque o mundo é um momento
Pedro Abrunhosa
E tem gente dizendo, ó:

Diovvani Mendonça:

MINHA MUSA NA CLAVE DE SOL

Inspiração
derrama nos meus olhos
um cacho de estrelas
um facho de lua
um riacho de trovas
frases de um poema
tupi-guarani
canto indígena
canto de araponga
bem–te-vi na beira do rio
acenando pra mim
desenhando n’água
colcheias semibreves
da canção que ainda vou compor.

Inspiração
me deixa ver
a melodia que guardas em segredo
na partitura do teu corpo
quero saber o que diz
a letra do canto do sabia
e assim
na mágica do instante
te engravidar
e depois de nove luas
te deitar nua
no colo do violão
fazer o teu parto
deixar no ar um acorde
para ser o berço
de nossa filha
nossa música.

(pra musa da adolescência!!!)

Marcio Hachmann:

Digo apenas: nasci voyeur sem culpa, nem medo.

Zumbi:

musa abusada
não se abusa
rasga-lhe a blusa

depois usa
suas carnes
com o tempero do cio


midi: momento - abrunhosa

emoções

Eu queria fotografar o meu emocional. Fazer uma série de fotos durante 24 horas. Talvez assim eu pudesse me entender. Não tendo esta prodigiosa máquina de fotografar emoções, uso a escrita para libertar sentimentos e organizar pensamentos.

Estou na fase Brincando com a Poesia. E na fase Eros! Não sei de onde surgiu, mas estou. Paralelamente, estou me sentindo cheia de amor. Amor aos meus amores, amor aos que me amam.

Amor ao poeta que esteve longe e deixou inexplicáveis saudades doendo na carne.

(poeta,
se tua ausência
me enredou na saudade
bastou o instante
de um grito teu
e novamente te amo

bastante)


Amor ao sempre presente Guanais-poeta, dos versos que me amam:

comentário
( sobre o livro solo da loba - ainda no prelo - )

se você
leitor(a)
ainda
não tem

invente
uma
ou mais
ou perca

o melhor
do melhor
só lendo
pra ver

o reflexo
da alma
nela
mesma.

Amor a um, dois, três, múltiplos poetas que me fazem musa sem saber que existo. Amor ao não-poeta que faz poesia nas minhas vontades. Amor aos mineiros, poesia das montanhas, aos cariocas que têm pó de pirlimpimpim, aos paulistas sempre no vai-e-vem, aos potiguares, pernambucanos, paraibanos, piauenses, bahianos (Fábio, cadê vc?), maranhenses, paraenses, paranaenses, candangos, pantaneiros, gaúchos - enfim, brasileiros de norte a sul, portugueses, portunhóis e galegos que a net uniu e nenhum homem separa!

Amor a você, que pacientemente me lê:


(leitor,
se existe meu texto
é por conta do teu eco
(telecinérgico)
que faz revoada
nas pontas
dos meus dedos)


E porque o post ficou enorme, despeço-me (quase envergonhada). Com amor. E com beijos.




PS. até bem pouco tempo atrás o meu preconceito impedia que eu descobrisse a poesia de Roberto Carlos. Mas (há sempre um mas...) um dia o poeta Linaldo (que eu respeito pra caramba) abriu meus olhos (e me vi preconceituosíssima) com a letra de Cavalgada. Desde então me rendi. Há um RC que eu não conhecia e que merece respeito pela sua poesia! Então deixo vocês com Roberto na voz de Betânia.

poetando

não quero palavras

quero o gosto
de versos
presos na garganta
e nas pontas dos dedos
a poesia
modelando as gotas
do meu suor

não quero palavras
quero o artífice do poema

* * *

poetando junto

Rafaela Silva Santos:

"Não quero palavras
As quero encarnadas
Em corpo, forma e movimento
Quero passos, quero olhares
Teu abraço perseguindo meus passos
Porque amar é mais alma
Que entendimento
É mais sentir"

* * *

ótima semana a todos. beijos meus em quem quiser.


midi: me chama - marina lima

elos

“É meu interior que fala às vezes sem nexo para a consciência”
Clarice Lispector

Sempre fui dada a paixões indizíveis. Inexplicáveis. Apaixonei-me perdidamente por Peter Pan (ou pelo pó de pirlimpimpim). Depois, vários outros personagens assediaram a minha mente, o meu coração e os meus diários. Voei com Ícaro, perdi-me na beleza apolínea, amei Raskolnikov, abusei de Bentinho, me tornei amante de Oliver e vivi muitas outras transgressões imaginárias. Depois vieram os personagens que eu própria criei. Sempre tortos, heróis às avessas. Foi a fase das trevas iluminadas pelos ideais. Os marginalizados, os proscritos, os rebeldes. Eu me vendo neles e vivendo com eles. Enfim, vieram os normais. Descobri que a normalidade tinha mais de anormal do que eu poderia supor. E voltei a ser livre para amar como e quantos o coração desse conta.
Continuo me apaixonando inexoravelmente. Por amigos que não conheço, por poetas que nunca vi, por palavras que voam ao vento. Apaixono-me por letras, por sentimentos, pela presença, pelo carinho, por retas e curvas. Apaixono-me também por meninos rebeldes, meninas perdidas, mocinhas e bandidos, zumbis e vampiros. Pelo tudo e pelo nada. Pelo palpável e pelo inalcançável. Por mim em mim e por mim no outro.
E de laços e nós vou me completando. E se perco um, sinto-me perdendo um pedaço da carne. Se um amigo se vai, deixa uma ferida difícil de cicatrizar. E a dor chama-se saudade. Se volta, viro prazer. E a saudade faz festa de despedida.
Penso que estes elos, na sua completa inexplicabilidade, é que estimulam o meu viver. Estou exposta a eles e deles tiro o alimento que me renova diariamente. Sou parte de um coletivo e sem ele eu não existo. Nele me fecundo e floresço ser. Bicho ou gente. Mas que sente.


Se alguém, ao ler este texto, ficou com a impressão de déjà vu e agora está incomodado por achar que cometi o pecado do plágio, sossegue. Se plagiei, foi a loba de algum tempo atrás. É que este texto me parece tão atual que resolvi reescrevê-lo, com mínimas modificações. Também porque ando de namoro firme com os muitos projetos que estou abraçando – entre eles, a organização de três livros que estão ficando maravilhosos - portanto, sem tempo para cuidar do blog e dos amigos. Mas continuo apaixonada por vocês. Todos vocês!


Beijos! Muitos e todos!